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Quarta-feira, Março 30, 2005



DOIS PROBLEMAS, NENHUMA SOLUÇÃO

Desde que comecei a me interessar pelos problemas sociais do nosso país, sempre tive uma convicção de que o pior era a desnutrição. Não sei o porquê, mas acho que tantos outros pensavam como eu. Como exemplo, posso citar o próprio governo atual, que teve como carro-chefe de sua propaganda eleitoral a campanha contra a fome, intitulada de Fome Zero.

Em parte, estávamos errados. Segundo pesquisa do IBGE, instituto de pesquisas de grande credibilidade no Brasil, o principal problema alimentar dos brasileiros é a obesidade.

Foi uma chuva de críticas em cima do governo federal. Muitos, acusando Lula e seus comparsas de focarem o problema errado - a fome - que, estatisticamente é menor, deixando o maior - a obesidade - de lado.

Vejo duas situações:

a) Os dois problemas são gravíssimos e de proporções enormes, tanto a obesidade, quanto a subnutrição. No entanto, vejo com maus-olhos algumas críticas sobre este paradoxo. Há um sério interesse em desestabilizar o governo, e nada melhor do que atingir a principal campanha social, o Fome Zero;

b) É muito bonita a campanha do governo contra a fome, mas também é preciso admitir que até o momento nada significativo foi conquistado.

O governo precisa reformular os seus projetos sociais, tentar engrenar de vez o Fome Zero e agora, também, conscientizar a população sobre as causas e problemas da obesidade. Mas tudo em seu tempo. Lembrando que casos como estes é impossível matar dois coelhos em uma cajadada só.


por Marcel Agarie * 12:25 AM

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Quarta-feira, Março 16, 2005



OS LIMITES DE CADA INDIVÍDUO

O Brasil parece ser um país religioso, ou melhor, de diversidade religiosa. Desde o cristão (católico ou evangélico) até o budista, passam por aí milhares de crenças. Aqueles que não as têm, denominam-se ateus.

Neste meio, existe uma maioria que não se prende a uma religião, porém não deixam de manifestá-la. É neste grupo que se encontram os "católicos de fachada".

Boa parte da população integra este círculo de pessoas. Por não terem uma religião definida, consideram-se católicos, mas não carregam os valores morais da religião, nem sequer sabem rezar.

É partindo deste princípio que chego até a reportagem Fiéis aceitam aborto e preservativos, publicada no dia 08 de março de 2005, no jornal O Estado de São Paulo.

Segundo a jornalista que assina a matéria, o IBOPE questionou 2002 brasileiros, sendo 1293 deles católicos, sobre o uso de métodos anticoncepcionais e o aborto para casos especiais. O resultado foi uma chuva de opiniões liberais, principalmente por parte dos fiéis.

Hoje a religião não é mais levada a sério. Se ainda houvesse respeito por ela, não teríamos opiniões tão conflitantes com a conduta imposta pelo Vaticano. As pessoas apenas vão as igrejas em busca de algum conforto espiritual, enquanto poucos se dedicam totalmente aos dogmas impostas por ela.

É preciso desvincular a religião na hora da elaboração das leis que regem uma sociedade. Casos como o aborto atingem diretamente os princípios religiosos, além do bom senso de uma pessoa. Mas se o indivíduo for um ateu? Ele deve ser impedido de realizar um aborto, apenas para cumprir uma lei em que ele não acredita?

A melhor maneira é buscar os princípios éticos e religiosos de cada um. Ou seja, algumas questões devem ser deixadas para que cada grupo social decida qual é a melhor maneira de agir. Desta forma, o indivíduo é quem colocará os limites de suas ações, baseadas nos valores religiosos, familiares e éticos, que ele adquiriu durante a vida.


por Marcel Agarie * 11:49 PM

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Terça-feira, Março 08, 2005



QUEM SÃO ELAS?

Carregam sorrisos que nos fazem ganhar o dia. Possuem um charme incomum que servem de inspirações para tantos poetas e compositores. Na mais bela metáfora, são comparadas com rosas. Exalam os perfumes das flores. Fisgam os homens pelo olhar (e mais outros detalhes que não cabem neste texto). No meio das suas fragilidades encontramos personalidades poderosas, fortes e vencedoras. Às vezes, a exagerada dedicação é confundida com teimosia. Trabalham duro, seja em casa ou fora dela. Sem contar que possuem o dom de serem mães. Carregam-nos em suas barrigas por longos 9 meses. Aproveitam a gravidez inventando desejos malucos. Reclamam das costas, mas nem assim deixam de se dedicar. Sofrem com as dores do parto (ai!).

São extremamente vaidosas, e como! Em suas bolsas carregam um arsenal para se maquiarem. Algumas colocam silicone nos seios, outras apenas passam algum produto para acabar com as estrias. Mas todas não resistem a um espelho, uma promoção ou uma sandália da última estação. Gostam de papear: na feira, no ponto de ônibus, no telefone... Ficam horas e horas sem travar a língua. Gastam o mesmo tempo escolhendo qual "absorvente" vão comprar. Sem contar as "milhares das muitas imensas variedades" de xampus. Adoram chocolates na mesma proporção que são obcecadas por regimes. Regime da lua, dos carboidratos, das proteínas, das saladas, do queijo branco, etc.

Quando amam, amam pra valer, mesmo que seja o pior cafajeste existente na Terra. Quando choram, choram pra valer, mesmo que seja pelo pior cafajeste que foi embora. Não medem sentimentos, apenas expressam. Não medem palavras, apenas falam. E entre palavras e sentimentos, fazem joguinhos. E como gostam disso. Nessa hora nos tornamos vítimas. Elas sabem e se aproveitam da situação. Ahhh!!! De onde será que elas são?

Alguns autores ousaram dizer que são de Vênus. Na minha modesta opinião, acertaram apenas em parte. Na verdade elas são as estrelas, que neste exato momento, brilham na mais bela constelação.

MULHERES, parabéns pelo dia de vocês!



por Marcel Agarie * 2:01 AM

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Terça-feira, Março 01, 2005



SERRANDO NOSSOS BOLSOS

Com mais de 55% dos votos, José Serra venceu a eleição para prefeito do município de São Paulo. Sua campanha, baseada nos seus feitos de quando era Ministro da Saúde, buscava também acabar com as taxas impostas por sua antecessora Marta Suplicy.

Dna Marta, que ficou conhecida como "Martaxa", colocou em vigor durante a sua gestão, cobranças como a taxa do lixo e a taxa de luz. A primeira cobrada de acordo com o volume de lixo produzido por cada contribuinte e com a finalidade de melhorar o sistema de coleta de lixo. A segunda é recolhida junto com a conta de energia elétrica de cada residência para a manutenção do sistema de iluminação pública.

Serra tomou posse em janeiro e até agora não reduziu nenhum dos impostos. Pelo contrário, alegou que eles já estavam previstos no orçamento de 2005 e seria impossível retira-los ainda neste ano.

Com explicações aparentemente aceitas pela população, o atual prefeito resolveu de vez "nadar contra a maré". Contrariando novamente a sua campanha eleitoral, anunciou nesta última semana a pretensão de cobrar dos motoristas a partir de 2006, uma taxa de inspeção veicular.

Em um discurso repetido, o prefeito disse que "essa taxa estava prevista pela administração anterior e por gestões passadas". O valor ainda não está definido, mas especula-se algo em torno de 40 a 55 reais anuais. O que parece simbólico, se multiplicado pela frota de automóveis de São Paulo, atualmente em torno de 5,5 milhões, renderá aos cofres municipais mais de 290 milhões. Serra garante que o dinheiro não irá para a prefeitura, pois toda a verba será utilizada para custear serviços de despoluição na cidade.

José Serra não conhecia profundamente a saúde financeira da prefeitura, porém sabia que seria muito difícil sobreviver sem manter estes impostos. No entanto, preferiu enganar o povo com promessas que não poderia cumprir, e assim, garantir a sua eleição.

Infelizmente situações como esta acontecem em diversas disputas políticas. Enquanto a população continuar aceitando, deixando de cobra-los quando eles alcançam os seus objetivos - entenda poder - seguiremos ouvindo propostas absurdas. Ainda falta discernimento político entre os brasileiros, talvez um reflexo do péssimo sistema educacional do país.

Mas quem sabe, quando o povo alcançar o amadurecimento político, não exigiremos novas taxas? Algo como "taxa por promessas não cumpridas". Seria ótimo, não acham?


por Marcel Agarie * 1:03 AM

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