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Domingo, Janeiro 30, 2005



A R Q U I V O

FEINHO, MAS SIMPÁTICO

Foi-se o tempo em que era bonito ser simpático. Hoje, nos tempos das esteiras, bicicletas e abdominais, sem contar as clínicas de estéticas e emagrecimento, as pessoas vão acompanhando a tecnologia investindo em sua beleza pessoal, ficando cada vez mais bonitas. Mas isso é para quem tem dinheiro, que não é o meu caso, por isso continuo o mesmo baixinho, gordinho, com algumas marcas de espinhas no rosto que trago da minha adolescência.

Nunca fui o bonitão da turma (mesmo com a minha mãe insistindo em dizer que sim), muito pelo contrário, eu estava na outra extremidade entre os mais feinhos. Isso nunca foi problema e nem me deixou traumatizado por não ter nascido uma beldade e além do mais, hoje em dia a maioria dos homens que a mulherada diz ser bonitão, ou é homossexual ou drogado, coisa que eu me orgulho não ser. Prefiro continuar feio.

Infelizmente nem todos os feinhos são como eu. Graças à Deus! Seria muito feio para um mundo só. Mas não é isso que quero dizer. Como consolo, muitas pessoas dizem que sou um cara muito simpático, comunicativo e extrovertido. Traduzindo: você é feio mas é legal, você é feio mas fala coisas bonitas, você é feio mas eu me divirto com você.

Olha, não sei se estou falando porque sou feio, mas gosto de ser assim. É isso mesmo! Tenho orgulho de ser feio e ao mesmo tempo legal, comunicativo e divertir as pessoas. Talvez se eu fosse bonitão, não seria do jeito que sou e gosto de ser. Existem tantas pessoas lindas e maravilhosas externamente que são tão nojentas, preconceituosas, arrogantes, convencidas - sem generalizar, por favor - enquanto outros mais feinhos e simples possuem um coração enorme, além de compreensão e muita paciência.

Não é a toa que existem muitos casais onde um é totalmente o oposto do outro. Um é lindo e o outro é feio. Dessa forma que eles se encaixam, se entendem e com o relacionamento vão descobrindo entre si, as suas belezas que não estão estampadas em seus rostos, em seus corpos malhados, mas nos gestos simpáticos de seus corações.

Mesmo feinho, sou uma pessoa feliz. Tenho muitos amigos que não conquistei com a minha beleza e sim com as minhas atitudes. Tenho ao meu lado uma companheira maravilhosa, LINDA, que me enche de carinhos. Para conquista-la, a minha beleza exterior não foi fundamental. Meus gestos foram mais importantes.

Por isso, se algum dia alguém te dizer que você é simpático - traduzindo: você não é bonito, mas é legal - não fique triste. Agradeça e se lembre que para você ser feliz a sua beleza exterior não interfere em nada. Seja apenas você. Feinho, mas simpático.


por Marcel Agarie * 9:41 PM

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Sexta-feira, Janeiro 28, 2005



ENGENHEIROS, JOÕES, JOSÉS E BRASILEIROS


A situação no Iraque parece cada vez mais complicada. A expectativa aumentando com as eleições do próximo domingo, graças a democracia imposta pelo Tio Sam. É claro que nada seria muito fácil. Iraquianos continuam lutando contra a invasão dos americanos da forma menos convencional, mas com as únicas armas que possuem: carros bombas, homens bomba, mulheres bombas e bombas pra quem quiser explodir.

E continuam os seqüestros contra quem trabalha na reconstrução do Iraque. Quase sempre essas pessoas são de nacionalidade americana ou de países que colaboraram com a invasão norte-americana. No entanto, mesmo sem apoiar a guerra, desta vez uma das vítimas foi um brasileiro. O seu nome é João José de Vasconcellos, mineiro de Juíz de Fora e engenheiro da construtora Norberto Odebrecht.

Aqui no Brasil o seu caso gerou uma enorme repercussão. Por se tratar de um assunto político-internacional, intervenções do alto escalão do governo se manisfestaram.

Lula rapidamente se pronunciou a respeito e buscou contato com líderes da Síria, país de grande influência no mundo árabe. Em poucos dias, representantes do governo já estavam no oriente médio em busca de soluções. A ação precisa ser rápida, pois a vítima é o engenheiro João José de Vasconcellos, um brasileiro disposto a reconstruir um país devastado pela guerra dos americanos.

Personalidades mundiais fizeram seus apelos. Ronaldo, que é brasileiro e não desiste nunca, deu a sua colaboração. Pediu para os sequestradores soltarem o engenheiro João José de Vasconcellos porque ele é brasileiro. Da mesma terra de Ronaldo, Pelé, Romário e outros craques do futebol. Se eles gostarem mesmo do esporte, talvez peçam a camisa da seleção autografada como resgate do sequestro do engenheiro brasileiro João José de Vasconcellos. Pois é! Quem sabe?

Enfim, espero que logo o engenheiro brasileiro João José de Vasconcellos volte para o Brasil. Quero ouvir a voz do rosto que mais apareceu na tevê e nos jornais nestes últimos dias. E por fim, que ele traga no seu sorriso de liberdade uma mensagem para todos nós:

- Cuidem do Brasil!

Assim como o engenheiro João José de Vasconcellos foi sequestrado no Iraque, quantos outros engenheiros, joões, josés e brasileiros são sequestrados por aqui? Quantos simplesmente desaparecem, sem explicações?

Muitos?

E quantas autoridades se mobilizaram?
Quantas personalidades se pronunciaram?


Se você é brasileiro - e não desiste nunca - por favor, reflita sobre essas situações.

OBS: Não pensem que sou contra as manifestações realizadas para a libertação do engenheiro João José de Vasconcellos. Apenas espero que a mesma indignação que estou vendo no país com o sequestro do engenheiro, seja ainda maior quando estes crimes acontecerem aqui. No Iraque eles ainda sobrevivem a tensão da guerra, pós ditadura de Saddam, o que talvez justifique ações de grupos extremistas. E por aqui, o que estamos vivendo?

por Marcel Agarie * 7:44 PM

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Terça-feira, Janeiro 25, 2005

A R Q U I V O

NÃO CONSIGO VIVER SEM VOCÊ

Por mais que eu tente ficar longe de você, acabo sempre voltando para os seus braços.

Confesso que os primeiros dias foram fáceis. Não queria saber de você. Quanto mais distância melhor. Não sentia falta de nada: da sua presença, do seu cheiro, da sua gritaria, das suas retas e curvas perigosas.

Passei a virada do ano longe, no litoral. Exatamente 6 dias sem sentir o seu estresse que parecia uma TPM constante. Fui respirar ar puro e ouvir o som das ondas quebrando, contrastando exatamente com o seu cheiro de fumaça e os seus gritos escandalosos. Pulei 7 ondinhas e nem desejei nada para você. (...) * Silêncio * (...) Tá bom, tá bom... Pra falar a verdade, desejei que melhorasse no ano de 2004. Mas só foi isso, eu juro.

Os fogos estouravam e a sua imagem insistia ficar na minha mente. Aquela multidão gritando, pulando e sorrindo, não tinha como não me lembrar de você. Eu te via entre aquelas pessoas andando de um lado para o outro e nos apartamentos que ficam na avenida principal. Até quando o homem que vendia bilhetes de loteria passava, a lembrança era você. No ônibus parado no ponto, nas crianças pedindo dinheiro no farol e no senhor que estava sentado no banco da praça lendo o jornal.

Não queria voltar. Não queria mesmo. Mas uma força misteriosa me empurrava de volta. Ao mesmo tempo, lembrava que você não nasceu apenas para mim. Você nunca seria única e exclusivamente minha. E como isso doía. Tinha que me conformar que sua vida era dedicada para muitos homens. Altos e baixos, ricos e pobres, bonitos e feios. Você apenas queria ver todos felizes, sem distinção, inclusive mulheres e crianças.

E por mais que eu relutasse com todas as minhas forças, uma fina garoa me fez desabar. Lavou a minha alma. Era um sinal que você estava ali, naquele instante me chamando.

Esqueci de todos os seus defeitos, das agonias que você me causou, do medo que me dominava quando estávamos juntos. Eu estava voltando. Eu queria realmente te ver e expor o meu amor por você. Já estava conformado que seria apenas mais um homem em sua longa vida, porém, não passaria pela sua estrada sem deixar a minha marca.

Apesar de não ter feito nada especial, apenas este texto de desabafo, o mais importante é que ficarei registrado na sua história. Sei que nem todos se lembrarão de mim como aqueles que lutaram por você em 1932. Mas tenho certeza que guardará a minha lembrança da mesma forma, pois para você, todos que vivem aqui são grandes, verdadeiros heróis.

O tempo passará, envelhecerei ao seu lado para um dia definitivamente ir embora, para um outro plano que não sei onde fica e nem quero pensar agora. E você, ainda estará por aqui, forte e renovada, comemorando muitos e muitos anos de vida.

Parabéns cidade de São Paulo pelos seus 450 anos. Não consigo viver sem você!


NOTA: Este texto foi escrito no ano passado, na comemoração dos 450 anos da cidade de São Paulo.


por Marcel Agarie * 3:20 AM

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DE QUEM É A CULPA?

Temos o costume de xingarmos os meninos fazendo malabarismos nos faróis da cidade. O quê?!! Isso não te incomoda? Então vou mais a fundo. Com certeza te revolta os assaltos nos faróis, sequestros relâmpagos e tantos outros crimes ocorridos na cidade. Então comece a pensar:

Quem são os culpados? Os assaltantes, os vagabundos, o menino malabarista? Quem?

Estou tentando descobrir.

Por trás destes personagens "vagabundos", encontro muitos outros culpados. Mas nem sempre os encontramos por ai.
Ao contrário do menino sujo e seus malabares, o mendingo e o batedor de carteira, eles estão bem vestidos. Usam terno, gravata, falam bem e andam no carro do ano. E quem é que paga? Oras! Eles possuem estes benefícios: vale terno, vale gasolina, etc, etc, etc. Outra coisa, não ganham menos de 10 mil reais (torno de 34 salários mínimos).

Estes "bem vestidos" são os responsáveis pela educação e saúde do menino de malabares, do mendigo e de outros personagens "vagabundos".

Com a educação oferecida pelos "bem vestidos", o menino de malabares e outros personagens "vagabundos" concluem o ensino fundamental e médio. Com o que aprenderam, seguem em busca de novos horizontes: o ensino superior.

Mas algo de errado acontece. O menino de malabares e outros personagens "vagabundos" não conseguem ingressar nas melhores faculdades, principalmente nas públicas, ADMINISTRADAS pelos "bem vestidos". No entanto, se preparar nas escolas ADMINISTRADAS pelos "bem vestidos" o fará buscar opções em uma faculdade paga, com mensalidades de 700 reais.

E quem vai para as faculdades públicas?
Ahhhh!!! Os filhos dos "bem vestidos". Muito provalmente eles estudaram em escolas que os DONOS também eram "bem vestidos". Nestas escolas as pessoas "bem vestidas" não aceitam o menino do malabares e muitos menos os "vagabundos". Eles não possuem $$$ para pagar por esta educação.

E o que acontece com os filhos dos "bem vestidos"?
Os filhos dos "bem vestidos" se tornarão grandes médicos, advogados e engenheiros. Trabalharão bem vestidos atendendo outras pessoas "bem vestidas". Ganharão salários de até 23 salários mínimos.

E com os "vagabundos"?
Não conseguirão concluir o ensino superior por falta de dinheiro. Entrarão no mercado de trabalho sem se especializar e ficarão desempregados. Quem puder dar um emprego a um "vagabundo", pagará no máximo 2 salários mínimos. Com os 2 salários mínimos ele pagará as contas, aluguel e a comida da família. Seus filhos estudarão em uma escola ADMINISTRADA por pessoas "bem vestidas" e fatalmente terão o mesmo destino.

Porém, o "vagabundo" por falta de especialização perderá o emprego para o filho de um "bem vestido" que acabou de se formar.
O "vagabundo" continuará procurando emprego, mas não terá muito sucesso dentro do concorrido mercado. Com uma família para sustentar, talvez pense até em roubar. Seus filhos, para cobrir as despesas, ajudarão pedindo dinheiro, fazendo acrobacias com malabares nos faróis da cidade.

*x*x*x*x*x*x*x*x*x*x*x*x*x*x*x*x*x*x*x*x
NOTA: Não quero defender o menino que rouba, nem o rapaz que sequestra alguém. Só quero abrir os olhos das pessoas para os problemas sociais existentes em nosso país.

Pior que o menino que bate carteira no centro é o político, o juíz, o delegado, o desembargador e outros profissionais de currículos invejáveis, que roubam na "cara" de todo nós. Isso é inadimissível, mas também é culpa nossa. Nós os colocamos no poder e aceitamos tudo que é imposto, sem reclamar. Problemas de um povo passivo.

Voltando ao assunto:
Pra você, quem é o culpado?

por Marcel Agarie * 2:54 AM

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Domingo, Janeiro 23, 2005

"SAMBA BOM É LÁ NO MORRO"

Ouvi, ao vivo, canções de compositores da antiga Portela, da saudosa Mangueira e da incomparável "Serrinha".

Você acha que tenho uma máquina do tempo e estou visitando os tempos áureos do samba nos morros cariocas? Não se engane!

Estou a poucos minutos do centro de São Paulo, no bairro da Barra Funda, exatamente no dia 23 de janeiro de 2005. O local escolhido é uma área de lazer e cultura da prefeitura, conhecido como Espaço CUCA. Os sambistas são pessoas que acima de tudo acreditam no valor do verdadeiro samba, fruto do nosso chão. Todos eles são integrantes do Grêmio Morro das Pedras, entidade fundada há 4 anos e que mantém viva a chama do samba.

Dentro do Espaço Cuca, uma marquise protege as pessoas do sol e de uma possível chuva. Uma grande mesa retangular dita o centro da roda. Muitas cadeiras, colocadas em torno da mesa marcam os locais dos músicos. Aos poucos, o público começa chegar.

Sambistas em seus lugares e a ansiedade nos toma pela garganta. Uma cerveja aqui e outra ali, deixa o "gogó" preparado para cantar. Os ouvidos também esperam ansiosos as melodias e as letras de qualidade incomum.

Uma convidada especial fez parte da roda nesta tarde. Cristina Buarque, irmã de Chico Buarque, trouxe-nos um pouco da sua vivência com os sambistas cariocas, principalmente da Portela. Com a simplicidade de uma pessoa qualquer, deixou de lado todo o peso do seu nome e de sua representatividade dentro da MPB, integrando-se ao público e puxando bons e velhos sambas.

Antes de iniciar a batucada, 1 minuto de silêncio em respeito a morte do saudoso Bezerra da Silva, morto na última semana. Cumprida todas as cerimônias, é hora do samba começar.

A alegria é contagiante. Enquanto marcação é feita na palma da mão, as cordas do violão improvisam e acompanham os sambistas versando. O surdo impõe o ritmo ao lado do tamborim, que complementa a percussão. É bonito ver todos cantando em uma só voz.

Quase 4 horas depois, sem interrupções, chega o momento da saideira. Mais 30 minutos de batucada e todos já com a perna inchada de tanto sambar. É preciso ir embora.

Para quem nunca teve a oportunidade de ouvir - ao vivo - uma verdadeira roda de samba, prepare-se, dia 13 de fevereiro tem mais.


Chegou a hora de caminhar, eu vou,
Vou pra Portela que o samba já me chamou
Samba bonito na Portela é que tem
Academia do samba é lá também
Eu não ficar parado aqui conforme estou
VOU PRA PORTELA QUE O SAMBA JÁ ME CHAMOU



por Marcel Agarie * 9:33 PM

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Quinta-feira, Janeiro 20, 2005


A R Q U I V O

Autor: Marcel Agarie
Data: 11/05/02

Crônica: "Disk tu, tu, tu"

Nunca pensei que fosse tão difícil conseguir uma informação pelo telefone.

Eu queria saber os valores dos ingressos para um show que seria realizado no Credicard Hall, mas não sabia por onde começar. A preguiça era maior que a minha disposição e me impedia de ir até o local descobrir. Para quem não sabe, o Credicard Hall fica quase no final da Marginal Pinheiros, próximo a ponte João Dias, um lugar distante para um habitante do bairro do Tatuapé, na zona leste. Pensei em ligar, mas como não tinha o telefone, entrei em contato com o serviço de informações da Telefonica, o 102. Com um papel e uma caneta na mão, liguei e me deparei com uma mensagem gravada com uma voz feminina, em um tom meio sexy, que repetia:

- Telefonica informa: este número mudou para 0800 77 15 102. Repetindo: 0800 77 15 102

Para dificultar, a Telefonica mudou o simples número 102 (fácil de decorar) da extinta Telesp e colocou mais 8 números na frente. De humilde 102 se transformou no sofisticado 0800 77 15 102, a lá espanhola. Anotei o novo número e liguei para ouvir outra mensagem, também gravada:

- A sua ligação é muito importante. No momento, todos os nossos atendentes estão ocupados. Por favor aguarde um instante.

Como não tinha opção, acabei esperando. O instante que eles pediram, durou quase 10 minutos, o que me fez concluir que havia entendido errado a mensagem de espera. Era para aguardar "como estante" e não "um instante", pois fiquei esperando 10 minutos imóvel. Eu realmente parecia com uma prateleira cheia de livros, televisão, aparelho de som, de uma sala qualquer, parado, na esperança de ser atendido. É de doer ficar aguardando, pior ainda é ficar ouvindo as músicas de espera.

O "momento estante" passou e a música de espera foi interrompida por um rapaz, com voz de dinossauro com fome, que me atendeu:

- Telefonica 15, Marcos, boa noite. Em que posso ajudar?
- Boa noite, gostaria do número de telefone do Credicard Hall.
- Mais alguma coisa senhor?
- Não, obrigado.
- Telefonica agradece, por favor anote.

A voz de "brucutu com fome" saiu da linha e cedeu o lugar para uma voz feminina (eletrônica), bastante mansa, que dizia pausadamente:

- O telefone solicitado é: 5, 6, 4, 3, 2, 5, 0, 0. Repetindo... 5, 6, Tu, tu, tu...

Nem esperei a repetição e logo liguei ao número informado. Desta vez uma outra mensagem gravada, menos pausada, dizia:

- Obrigado por sua ligação. Para informações sobre shows no Credicard Hall, ligue para a central de atendimento no número 3191 0011.

Eu estava começando a me irritar com este liga pra lá, liga pra cá. Era a quarta tentativa frustrada de conseguir o telefone do Credicard Hall. Me acalmei, contei até 10 e disquei para o último número anotado no papel, já cheio de rabiscos e números telefônicos. Mais uma mensagem me atendia, mais uma vez era uma voz de mulher e mais uma vez me forneciam um outro número para informações.

- O número 3191 00 11 mudou para 6946 6000. - dizia a mensagem

Parecia pegadinha. Para saber quanto estava um par de ingressos para um show no Credicard Hall, eu já havia ligado para 4 números. Não dava para acreditar o que acontecia comigo. Liguei para 6946 6000 e uma senhora me atendeu:

- Disk-táxi, Marta, boa noite.
- Disk-táxi?
- Sim, em que posso ajudá-lo?
- Por acaso, aí é do Credicard Hall?
- Desculpe, mas não é não senhor.
- Ok, foi engano... Tu, tu, tu...

Um engano em um dos algarismos, fez eu ligar novamente para o telefone anterior e ouvir a gravação para verificar qual número havia anotado errado. Ouvindo de novo a mensagem, constatei o problema no prefixo, o correto era 6846 e não 6946. Depois de mais de 30 minutos no telefone ligando para 5 números diferentes, finalmente eu estava próximo de conseguir falar com as pessoas responsáveis pela venda das entradas. Liguei para o número corrigido e? Uma mensagem me atendeu:

- o nosso horário de atendimento é de segunda à sábado, das 10 às 22 horas. Informações para shows, disque 1, para espetáculos e peças de teatro, disque 2, para ...

Disquei 1 e aguardei. Houve uma pausa e outra voz - blá, blá, blá... - surgiu no fone:

- para shows de fulano, disque 1. Para shows de ciclano, disque 2. Para shows de beltrano, disque 3. Para shows de...

São nestes momentos críticos que as Leis de Murphy entram em ação. Como eu estava com pressa, puto e com ouvido cheio de tanto ouvir mensagens gravadas, justo a minha informação era a última das 12 opções que tinham. Teclei o número correspondente, contendo a ansiedade e com o dedo indicador quase formando um calo de tanto discar. Era o momento mais esperado daquela noite. Depois de 50 minutos, quase completando uma hora, eu estava prestes a conseguir as informações que necessitava. Até me lembrei que poderia ter consultado tudo pela internet, mas agora não fazia mais diferença. A informação estava prestes a entrar pelos meus tímpanos, processar em meu cérebro e agilizar a melhor maneira possível de comprar os bilhetes.

Outra voz - gravada - surgia no fone. Era mais uma vez feminina, dizendo em um tom muito suave, quase celestial de se ouvir. Com certeza a voz mais bonita de todas as que tinham passado pelos meus ouvidos naquela noite. Uma voz adoçada, que me saudou com um educado boa noite e disse:

- os ingressos para o show desejado, estão esgotados. Para maiores informações ligue no núm... Tu, tu, tu...

Da próxima vez vou até lá a pé e pergunto para o segurança. Que saco!

PS: Se não acreditam, tentem para crer.


por Marcel Agarie * 1:00 AM

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Terça-feira, Janeiro 18, 2005



"MALANDRO É MALANDRO, MANÉ É MANÉ"

Mais um grande sambista se foi.

Aos poucos, sambistas que cultivam o verdadeiro samba estão armando a roda no céu. Para um time que já tem Cartola, Candeia, Noel Rosa, Zé Keti, Ismael, Paulo da Portela, Jovelina e tantos outros, agora está reforçado por Bezerra. Imaginem a alegria de todos os domingos? Partido alto, cerveja, caninha, mulheres sambando miudinho. Nem o "Dono da casa" deve ficar de fora.

Nascido em 1927, em Recife, Bezerra teve uma infância pobre. Aos 15 anos viajou clandestinamente em um navio para o Rio de Janeiro, onde passou a morar no Morro do Cantagalo, zona sul da cidade.

Na música, recebeu influências de Jackson do Pandeiro. Aprendeu a tocar tamborim, surdo e outros instrumentos de percussão, que o levou a tocar na Rádio Clube e na Orquestra da Copacabana Discos. Gravou seu primeiro compacto pela própria Copacabana em 1969 e seis anos depois o seu primeiro LP.

Autêntico, carregava em suas atitudes a extinta malandragem carioca. Ao contrário do termo utilizado hoje de forma pejorativa para definir a "bandidagem", a malandragem de Bezerra estava nos gestos, na forma de se impor dentro da sociedade e de contornar situações complicadas da vida cotidiana.

As músicas que gravava freqüentemente falavam sobre a vida precária da população nos morros cariocas. "Gravo a realidade brasileira do povo faminto e marginalizado", disse em uma entrevista à Folha de São Paulo.

Com a participação de outros 2 malandros, Moreira da Silva e Dicró, gravou em 1995 "Os Três Malandros In Concert", um trabalho irreverente que satirizava os três tenores. Poucos anos depois é publicado o livro "Bezerra da Silva - Produto do Morro", de Letícia Vianna.

Seu último trabalho foi o "Meu bom Juíz", lançado em 2003. O título do CD é também o nome do samba escrito por Beto Sem Braço e Serginho Meriti que homenageia o traficante José Carlos do Reis Encina, mais conhecido como Escadinha.

Mesmo com um grande repertório, poucas músicas gravadas eram de sua autoria. Preferia dar oportunidade a compositores desconhecidos e marginalizados que resultava quase sempre em grandes sucessos. Um dos que receberam apoio foi o Barbeirinho do Jacarezinho, que atualmente possui muitas músicas gravadas por Zeca Pagodinho.

Admirado por muitos artistas, inclusive de outros gêneros musicais, teve o seu sucesso "Malandragem Dá um Tempo" gravado pelo grupo Pop-Rock Barão Vermelho, eternizando o refrão "vou apertar, mas não vou acender agora". A música lhe trouxe admiração de outros públicos e uma maior popularidade.

Com problemas pulmonares desde o final de outubro, Bezerra da Silva morreu nesta última segunda-feira (17/01) devido a uma parada cardíaca, seguida de falência múltipla dos orgãos.

Para que a sua irreverência esteja presente até em sua morte, deixo a minha sugestão para o seu epitáfio:
"Agora posso acender meu baseado sossegado"

por Marcel Agarie * 11:36 PM

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Quinta-feira, Janeiro 13, 2005

A R Q U I V O

Amigos Especiais

Amigos nascem amigos. Não brotam em árvores ou germinam da terra. São pessoas especiais, predestinadas a serem parceiros, líderes, conselheiros e companheiros. Nasceram para amar as pessoas ao seu redor e alegrar o ambiente. Contagiam com paz, transmitem saúde e quando gripados não deixam que cheguemos perto. Enchem-nos de presentes e nos surpreendem com um abraço no decorrer de um dia difícil. Traçam suas vidas planejando num futuro próximo sermos seus padrinhos, sócios e eternos parceiros de truco. Brigam quando necessário, mas sempre pelo bem. Não agüentam um dia sequer estarem longe. Quando isto acontece, trocam e-mails, telefonemas, cartas, mas não deixam de se falar. Contam entre si os segredos, as dificuldades e os sucessos também. Ensinam o outro a dirigir, mesmo que ele seja um mau motorista. Pagam a feijoada no sábado e mesmo quando falta dinheiro, deixam fiado a rodada de cerveja da sexta-feira à noite. Bebem sempre juntos e quando ultrapassam os limites, utilizam o ombro do parceiro como apoio, mesmo este estando ainda mais embriagado. Avisam quando tem caquinha pra fora do nariz, casquinha do feijão no dente da frente e não se importam em dizer na presença de todo mundo que o barguilha da calça está aberta. Colocam a etiqueta da camisa para dentro e avisam quando o cabelo está desarrumado. Enfim, há uma preocupação maior entre os amigos. Normalmente ouvem as mesmas músicas e curtem os mesmos lugares. Costumam sonhar bastante, contar as vontades, fantasias e desejos. Amigos nos inspiram, escrevemos textos como as águas que correm nos rios, naturalmente. A palavras fluem e terminam numa folha. Formam frases, na tentativa de conseguir que aquele bonito sorriso mantenha-se por mais um ano de vida e, sem a intenção, totalmente sem querer, arrancar uma emocionante lágrima. Não de tristeza, somente felicidade.


OBS: Este texto escrevi para o aniversário da minha amiga Fernanda Forjaz. Peço licença a ela para que eu possa também compartilhar esta carta com tantos outros amigos que possuo. Um grande abraço para todos.

por Marcel Agarie * 11:50 PM

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"NÁDEGAS A DECLARAR"

Acabei de sair do banheiro. Descarreguei toda a minha angústia por água abaixo. Mandei um fax para o Tietê e ainda peguei a confirmação. Fiz o número 2. Cortei o rabo do macaco! Guilhotinei a cabeça de tartaruga.

Putz, que nojo...

Tudo isso, para dizer que, assim que sai da minha posição de "monarca", olho para o lado e...
Cadê o papel?

Isso mesmo, o papel higiênico.
O que fazer em uma situação dessa?

Certa vez, um amigo que não vou citar o nome, estava em um parque quando veio aquela vontade enorme de "cortar o rabo do macaco". Sem banheiro e sem papel ele improvisou. Usou o seu lenço de limpar o nariz.
Segundo ele, não deu para limpar tudo. Olhou para os lados e encontrou 2 papéis de sorvete. Limpou com eles mesmos.

Não satisfeito, limpou o finalzinho com os dedos e depois lambeu. Brincadeira! Brincadeira!! Este parágrafo foi só para descontrair.
O resto, deixo para você imaginar.

Tenho um outro caso, interessante, que salvou eu e um grupo de amigos de ficarem perdidos na mata fechada em Paranapiacaba.
Os machões não queriam seguir as trilhas formadas e resolvemos entrar no meio da mata fechada, a procura de uma boa aventura. No meio do caminho, um dos meus amigos não aguentou o aperto e teve que "mandar um fax" por ali. Por incrível que pareça, alguém tinha papel higiênico na mochila, o que facilitou bastante a vida deste meu camarada em comparação ao da história anterior.

Seguimos em frente e nos perdemos no meio da floresta. Para onde olhávamos era tudo a mesma coisa: mato, árvore, formiga e árvore. Durante algumas horas ficamos procurando a saída e nada. Subia morro, descia morro e nada. Até o momento que um de nós se deparou com os restos orgânicos, deixados por nosso higiênico colega. Mas como identificar se era mesmo dele?
Mais à frente estava a resposta. Metros de papel higiênico usado, espalhados pelas árvores que cercavam a sua obra não deixavam dúvidas que era dele aquele cocô. Quem mais teria usado papel higiênico naquela mata fechada? O local nos serviu como bússola e graças a "demarcação de território" realizada pelo meu amigo, conseguimos sair da floresta.

Voltando para a minha história, eu estava sem papel. Porém, ao contrário dos meus amigos, fui até o armário com as calças arreiadas e peguei um rolo novo. E foi neste momento que tive a inspiração para escrever tudo isso que já digitei aqui.

Quando vamos colocar um novo rolo de papel higiênico no suporte (espero que você entenda o que estou tentando dizer), desgrudamos a ponta do papel e colocamos para que lado? Para baixo ou para cima?

Constatei que, com a ponta virada para baixo, a tendência é do papel sair com mais rapidez e dificilmente se perde a ponta.
Virada a ponta para cima, o papel sai com mais dificuldade e quase todas as vezes perdi a ponta.

Existe um lado certo nas regras de etiqueta?

Deixa eu parar por aqui que este texto está uma bosta.
Por acaso você tem um papel ai?

por Marcel Agarie * 1:15 AM

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Quarta-feira, Janeiro 12, 2005

UM DIA VAZIO, CHEIO DE CORES...

Hoje não li jornal, não conectei na internet, não ouvi rádio e nem assisti a TV. Não toquei em meus livros, nas minhas revistas, nem tomei um whisky para relaxar. Como é horrível isso! Trabalhei o dia inteiro, sem cessar. Nem almocei direito.

Desde que acordei me limitei a abrir arquivos em excell! BAH! Odeio isso. Quero abrir o word e escrever uma carta para alguém. Pode ser para mim. Não, não! Vou escrever para a Cris, afinal, hoje nem dei atenção direito para ela. Espero que ela me perdoe.

Como não li nada, não sei o que aconteceu hoje. Então vou deixar a minha opinião sobre algum assunto polêmico. O que importa? Já estou falido mesmo. Quem está preocupado?

Falarei sobre a cota universitária para negros. Aiiiii... Calma gente! Abaixem as suas garras e vamos discutir pacificamente.
Não sou a favor de cotas universitárias para negros. Por favor, não entendam isso como preconceito. Acredito que a causa do problema, a discriminação racial, não será resolvida dessa forma.

Já participei de diversas discussões sobre o assunto e por algumas vezes balancei na escolha de uma opinião. Agora não mudo mais, sou contra. Segue o meu raciocinio em doses homeopáticas:

01 - Sim. Existe sim preconceito racial em nosso país. Não tenho dúvidas nenhuma.

02 - É preciso combater este preconceito com educação, com movimentos culturais, trabalhos de conscientização. É difícil? É! Mas é preciso começar.

03 - Não acho o sistema de cotas universitárias para negros uma forma de lutar contra a discriminação, pelo contrário, pode despertar certo furor naqueles que não se encaixarem neste sistema.

04 - Os que defendem as cotas alegam que a maioria dos negros são pobres. E que o fato de ser pobre e negro, este terá mais dificuldades de conseguir uma ascensão social do que um branco nas mesmas condições.
Concordo que a discriminação existente em nosso país reduzirá as oportunidades do negro em comparação ao branco, mas não consigo ver onde que as cotas reduziriam os casos de preconceito. Por favor, me ajudem!

05 - Se todos (nós e o governo) queremos uma sociedade mais justa, vamos investir em educação. Através do estudo, as crianças, adolescentes, adultos, idosos e quem tiver interessado, entederão um pouco mais da nossa história, ver como o negro e outras raças sofreram com a escravidão. Desta forma, compreenderão melhor o quanto é necessário se chegar a uma sociedade mais justa, que mesmo com cores diferentes, possuem corações e sentimentos parecidos.
Sei que muitos vão comentar sobre a existência de países desenvolvidos, com alto grau de instrução, que possuem milhares de casos de racismo. Resumindo: a educação não serviu para nada.
É por ai que se enganam! Estes países tiveram um passado fascista, com antepassados radicalmente preconceituosos ou dominadores. Queiram ou não, carregam até hoje estigmas deste período, que muitos querem esquecer.

06 - Não temos um sistema de classificação de raças em nosso país. Somos avaliados pela aparência e isto dificulta na hora de avaliarmos nossa verdadeira cor. Somos brancos, negros, amarelos, vermelhos, pardos, morenos... porque alguém olhou pra nossa cara de joelho quando nascemos e achou que éramos de determinada cor. Crescemos e na adolescência o cabelo clareia, os olhos escurecem, a pele fica bronzeada... O que somos agora? Mutantes?

Respondam-me duas perguntas:
a) De que cor você é?
b) Qual é a cor de um pardo? (segundo o Aurélio: "De cor entre o branco e o preto, ou entre o amarelo e o castanho". - Será que ajudou ou atrapalhou?)


NOTA: Gostaria de ler opiniões de outras pessoas. Sempre é bom discutir sobre casos polêmicos para aprendermos com as idéias dos outros. Coloquem seus sentimentos, suas aflições e conhecimentos sobre o assunto. Não sou dono da verdade e nem pretendo ser. Sou apenas, entre tantos outros, mais um jornalista falido.

25% BRANCO
25% NEGRO
25% AMARELO
25% VERMELHO


= 100% BRASILEIRO...

por Marcel Agarie * 1:53 AM

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Segunda-feira, Janeiro 10, 2005

LULA QUASE LÁ....

Fiz uma crítica ao nosso presidente Lula no "post" anterior. Não foi por mal, eu juro. Apenas utilizei desta ironia para mostrar o quanto que o Lula está fazendo pelos países vizinhos, irmãos, pobres e subdesenvolvidos. E nós?

Economicamente falando, o país está no caminho certo. Andamos com os pés no chão e um passo de cada vez. Mas ainda é pouco para darmos crédito ao Governo Lula, que até agora, limitou-se a repetir a política econômica de FHC. Não mudamos nada. O pobre conseguiu emprego e continou pobre, enquanto o rico se fortaleceu e ficou ainda mais rico.

Todos acreditavam que o forte do Lula estava no social. E realmente estava, mas no "international social". Enviamos militares para intervir na guerra civil que estourava no Haiti a troco de quê? Vivemos uma guerra civil declarada nas favelas paulistas e nos morros cariocas. Ou será que não vivemos?

Li que este empenho internacional tem uma finalidade: uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU. Para que o Lula pretende participar de um orgão que coloca assuntos em pauta, vota a favor ou contra e depois vem um tal de "Tio Sam" e passa por cima do que foi decidido?


MANCHETES DE "O ESTADO DE SÃO PAULO" DE 10 DE JANEIRO DE 2004
30 homens assaltam supermercado no Rio
Tiroteio provoca pânico na Praia do Leme
Incêndio destrói 25 barracos de favela no centro de SP

MANCHETES DA "FOLHA ON-LINE" DE 10 DE JANEIRO DE 2004
Chuva deixa dois pontos de alagamento em São Paulo
Tiroteio assusta motoristas na Linha Vermelha

Já não temos problemas demais por aqui?


por Marcel Agarie * 10:42 PM

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Quarta-feira, Janeiro 05, 2005

É HORA DE RECOMEÇAR - PARTE II

Um quadro completo contendo doações dos países e colaborações pessoais para as vítimas do Tsunami, pode ser ser visualizado no site no uol, no seguinte endereço:

http://noticias.uol.com.br/ultnot/reuters/2005/01/05/ult729u42966.jhtm

O maremoto matou mais de 130 mil pessoas e deixou outras milhares desabrigadas.

O trabalho de reconstrução será grande e as doações recebidas do mundo inteiro ajudam para que os problemas surgidos não se agravem. Segundo a matéria, as colaborações somam US$ 3,695 bilhões.

Quem continua no topo da lista é a Austrália, com uma ajuda de 750 milhões de dólares.

O Brasil não aparece na lista porque deve ter gasto muito dinheiro no Haiti, no incêndio do mercado no Paraguai e no ataque de gafanhotos em países africanos.

por Marcel Agarie * 11:08 PM

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É HORA DE RECOMEÇAR...

A situação vivida pelos asiáticos após os Tsunamis, vem desencadeando uma corrente de solidariedade entre entidades, países, grupos e celebridades. Com certeza toda ajuda é válida, no entanto, sou obrigado a ouvir algumas besteiras.

Existem pessoas que gostam de criticar os artistas que doam dinheiro, alegando que eles procuram o "marketing pessoal". Se é mesmo, ou não, isso é o que menos interessa nesta hora. O importante é que o dinheiro será utilizado para alguma coisa boa. Sem contar que estes que costumam resmungar dessas atitudes, são os que ficam o dia inteiro com a bunda no sofá e não levantam nem para separar algumas roupas, que não usam mais, para doação. Lamentável...

Se era propaganda que eles queriam, vou ajuda-los a realizarem seus desejos (uma pena que é num blog de um jornalista falido):

DOADOR = QUANTIA
- Michael Schumacher = US$ 10 milhões
- Sandra Bullock = US$ 1 milhão
- Leonardo di Caprio = US$ 1 milhão
- As tenistas Maria Sharapova e Venus Williams colaboraram com um jogo exibição na cidade de Chiang Mai, Tailândia. O jogo foi assistido por 4 mil pessoas e toda a renda foi doada para reconstrução dos países atingidos. A partida foi vencida pela russa Sharapova por 6-4 e 6-3, em 1h18min.


- FIFA = 1 milhão de euros
- Federação asiática de futebol = 750 mil euros
- Banco Mundial = 250 milhões de dólares
- União Européia = 40 milhões de dólares
- Até o dia 31 de dezembro a Cruz Vermelha americana havia arrecadado com doações o valor de US$ 18 milhões.
- O Comitê de Emergências da Grã-Bretanha arrecadou US$ 39 milhões em doações
- Os italianos arrecadaram US$ 17 milhões em doações
- COI (Comitê Olímpico Internacional) = 1 milhão de dólares
- Federação Portuguesa de Futebol pensa em realizar uma partida amistosa entre a seleção portuguesa e um combinado de jogadores dos países afetados pelo Tsunami. O jogo está previsto para o dia 15 de janeiro, no estádio da Luz em Lisboa, com capacidade para 65 mil pessoas. Toda renda será doada para reconstrução dos países atingidos.

- Japão = Promessa de 500 milhões de dólares
- Suécia = Promessa de 80 milhões de dólares
- Grã-Bretanha = 96 milhões de dólares
- Alemanha = 500 milhões de euros
- França = 57 milhões de dólares
- No Brasil, a Unicef está arrecadando fundos através de uma conta no Banco do Brasil e surpreendentemente já recebeu mais de R$30 mil.
Ainda em nosso país, o consulado do Sri-Lanka localizado no Rio de Janeiro, está com uma campanha chamada S.O.S. Sri-Lanka.
A campanha já arrecadou em torno de R$ 100 mil em todo o país, 70 toneladas de alimentos e remédios no Rio e outras 30 toneladas de medicamentos doados pelo laboratório Eurofarma, de São Paulo. Também possui uma conta bancária que está recebendo doações para reconstrução do Sri-Lanka.
Para informações sobre as contas para depósito, clique aqui

- A maior doação veio da Austrália, que colaborou com 755 milhões de dólares




Agora abram os olhos e reclamem dessa situação, publicada no site da Agência Estado:

Quarta-feira, 05 de janeiro de 2005 - 12h09
Blog faz contas e diz que ajuda dos EUA é ridícula

Segundo o americano Frank Boosman, que toca o blog político Pseudorandom, a ajuda de US$ 350 milhões prometida pelos EUA às vítimas do maremoto na Ásia, equivale ao que foi gasto em 42,47 horas na guerra contra o Iraque. O comentário está repicando em blogs de todo o mundo.

São Paulo - O blogueiro Frank Boosman, que toca o corretamente político blog Pseudorandom , fez as contas e concluiu que a ajuda financeira de US$ 350 milhões prometida pelos Estados Unidos às vítimas do maremoto na Ásia é ridícula.

"Até agora, a invasão do Iraque custou aos cofres de Washington 130 bilhões de dólares. A guerra começou em 20 de março de 2003. Isso quer dizer que se passaram 656 dias. Ou seja, gastamos $198,730,732 por dia com a brincadeira. Em resumo, o total do dinheiro enviado para os países asiáticos assolados pelo tsunami é igual ao que foi despendido em 42,47 horas de guerra contra o Iraque", ele esclarece.

A propósito, o blog MyGeekDom comenta: "É duro saber que uma nação tão rica dê mais importância a um conflito ´sujo´ do que a uma tragédia que deixou mais de 150 mil mortos e milhões de pessoas feridas, desabrigadas e famintas".

por Marcel Agarie * 3:21 PM

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