

Artigo 1 - Fim de ano
Chegou o fim de 2004. Mais um ano passou e o que realmente mudou?
Segundo o nosso querido presidente Lula, entramos na fase do crescimento sustentável, que deve ser aquela mesma coisa que ele disse no inicio do seu governo que se chamava "espetáculo do crescimento".
Alguns desempregados conseguiram trabalho. Agora eles ganham R$ 350,00 para pagar o aluguel, remédios, escola para os filhos e outras despesas mais. Sem contar que boa parte destes novos empregados são temporários, ou seja, começo do ano que vem é pé na bunda!
Outros acham que têm emprego garantido, mas são trabalhadores informais, sem registro. Enquanto a economia vai bem é tudo muito bom. Pena que ela, a macroeconomia, é traiçoeira. Não diz a hora que deixará tudo na mão. E se isto vier acontecer - espero que não ocorra, quem fica na mão, ou melhor, sem nada nas mãos, são estes pobres trabalhadores.
"Isso aqui, é um pouquinho do meu Brasi (ai, ai)..."
por Marcel Agarie * 9:38 PM
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Estou a 1h e cinco minutos do Natal. O que dizer? O que pensar?
Mal pisquei os meus olhos e mais um ano se passou. Confesso que por mais que esta data relembre o nascimento de Cristo, todo natal começo meu processo de reflexão das pessoas queridas que se foram. Quantos amigos, parentes, pessoas famosas. Enfim, chegaram ao processo final da vida e nos deixaram sem muita razão.
Às vezes fico imaginando quantas vezes irei fazer isso. Quantos natais terei pela frente, além destes 24 que já comemorei. É algo muito esquisito, mas é verdade. Quantas pessoas conhecerei, quantas pessoas irão mudar minha vida, quantas vidas eu irei mudar.
Somos uma peça de um enorme quebra-cabeça sem sentido, onde podemos nos encaixar em qualquer lugar, a qualquer hora, em qualquer posição. Dessa forma, continuo procurando a minha posição, nessa vida que vamos levando sem muita direção.
Mas vamos deixar isso para lá. "Tô" saindo fora, comer o meu peru.
Um feliz natal para todos, cheio de paz e alegria. (Não aguento mais este chavão)
Marcel Agarie
por Marcel Agarie * 10:05 PM
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O PUM (O PEIDO)
Ponto de partida: Estação Brigadeiro
Destino: Estação Carrão
Esta história não é muito adequada para crianças, ou melhor, acho que não é adequada para ninguém, pois irei falar de uma coisa podre, fedida, porém natural: o "pum".
Pum é um nome carinhoso que inventaram para o peido, bufa, ou outra definição que você ache melhor. Para que o texto não fique muito pesado (ou fedido), vou procurar manter o respeito para o leitor não se sinta ofendido e por isso usarei o "pum" como forma de mascarar a evasão de gases de nosso organismo. Entendido as interpretações, vamos ao texto.
Esta história aconteceu durante o ano de 1999, quando eu ainda trabalhava no Banco América do Sul na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio e voltava para casa após um cansativo dia de trabalho.
Todos os dias eu andava um pouquinho para chegar até a estação Brigadeiro na Avenida Paulista. Eu sempre estava ouvindo um walk-man para distrair, assim como muitos outros usuários do Metrô, pois a música ajudava a esquecer a cansativa viagem da estação Brigadeiro até a estação Carrão.
Depois de já ter feito duas baldeações, uma na estação Paraíso e outra na estação Sé, consegui um lugar para sentar e vinha tranqüilo ouvindo alguns sambas no último volume em meu walk-man, até a hora que surgiu uma imensa vontade se soltar um "pum". Confesso que eu já havia soltado alguns "puns" pelos vagões do Metrô, mas nunca havia sentido tanta vontade como este que acabara de bater na portinha de saída.
Eu estava com medo de soltá-lo, pois devido a pressão que fazia, seria um daqueles explosivos, barulhentos. Ele tentava fugir pela esquerda e eu o pegava, ele tentava fugir pela direita e eu o pegava novamente. Eu não o deixava sair. Até um momento que não resisti mais e tive que deixá-lo evasar. Para não fazer barulho, soltei o mais devagar que pude e quando terminei, tive a sensação de que a missão estava cumprida, afinal ele havia saído totalmente e eu nem sequer ouvira um barulhinho.
Olhei para o alto com uma expressão aliviada e do meu lado esquerdo havia um homem que ria e olhava para mim. Achei estranho, mas não dei a menor importância. Na minha frente, havia duas mulheres que cochichavam e riam olhando para mim, enquanto do meu lado direito, um senhor de terno e gravata estava tentando conter os risos. Eu, inocente, não estava entendendo mais nada, quando veio um estalo na minha cabeça. O "pum" havia feito barulho e eu não ouvi porque estava com os fones do walk-man no último volume dentro ouvido. Que vergonha! Fiquei imaginando o que aqueles seres, que estavam em minha volta pensavam vendo um japonês, ouvindo samba no último volume, soltando um peido, me desculpe, soltando um "pum" na maior cara-de-pau. Só poderia ser motivo de risadas - e muito fedor - mesmo.
Mais cara-de-pau ainda foi a minha atitude depois disso. Disfarcei e fingi que aquelas risadas não eram comigo e continuei ouvindo o meu walk-man numa boa, até a estação Carrão.
Depois do acontecimento, durante algum tempo procurei variar um pouco os vagões com vergonha de encontrar com aquelas pessoas que estavam em minha volta na hora do cerimonial "pum". Já pensou eles falando para o amigo do lado:
- Tá vendo aquele japonês. Outro dia ele soltou um "pum" aqui no Metrô na maior tranqüilidade e nem ligou...blá,blá...
Que vergonha seria.
Depois do trauma passado, ainda soltei alguns "puns" pelos vagões do Metrô, mas todos tiveram sucesso e não fizeram nenhum barulho para me acusarem. Diferente do "pum" da história, que não obteve o mesmo sucesso. Com o acontecimento aprendi novas táticas e hoje eu abaixo o volume do walk-man para controlar melhor a saída do "pum", porém quando percebo que não tem jeito e vai ser um daqueles - barulhentos, eu seguro-o até a próxima estação, saio para a plataforma, procuro um local deserto e o solto sem dó nem piedade. Ahhh, depois de tudo que passei, nem ligo mais para o barulho.
por Marcel Agarie * 12:13 AM
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Como explicar aos nossos filhos o mundo em que irão viver?
Uma criança de 4 anos, descobrindo o mundo, pergunta curioso para o seu pai que está sentado no sofá lendo tranqüilamente o jornal:
- Papai, papai !!
- O que é filho?
- O que é azul?
- Azul? Bem... Deixa eu pensar para papai te explicar. Azul é a cor do céu.
Imediatamente o menino corre para a janela e olha para o céu. Decepcionado, volta resmungando para o pai.
- Mas papai, aquilo no céu a tia da escola falou que é cinza.
- Não filhinho. Cinza é quando vai chover.
- Mas tem sol lá fora e o céu está cinza! Vem ver! Vem ver! Vem ver! Vem ver!
De tanto o garoto insistir o pai acaba cedendo a pressão e vai até a janela.
- Tá vendo papai? Não é cinza?
- É verdade, você tem razão. Mas a cor do céu é azul, este cinza é de poluição.
- Poluição? O que é poluição? Fala pra mim papai. Não estou entendendo.
- Poluição é aquela fumaça que os carros e caminhões soltam.
- Lembrei papai. Igual aquela vez que o caminhão soltou um montão de fumaça dentro do teu carro e nós ficamos tossindo? Aquela fumaça é ruim. Doía minha boca e o meu nariz.
- Isso! Aquela fumaça sobe e deixa o céu com a cor cinza. Aquilo é poluição.
- Aquilo tinha um cheiro ruim, não faz mal pra gente?
- Faz filho. Toda essa fumaça faz mal porque respiramos e suja os nossos pulmões.
- Pulmões? O que é isso?
- É igual o nariz - respondeu o pai com um pouco de impaciência
- Ahhh... tá. Entendi. Coitada da vovó...
- Filho! O que tem a ver a vovó?
- O senhor não falou que ela foi para o céu? Deve estar um cheiro ruim lá!
- Aí meu Deus do céu! O que eu fui falar para esse menino?
- E aquela fumaça que o senhor solta quando põe aquele negócio na boca? Também faz mal?
- O quê? O cigarro? Hã... Bem... Aquilo faz mal também.
- Então por que o papai não para de soltar aquela fumaça fedida? Ai para de fazer mal.
- Filho. Aquilo é uma longa história...
- O senhor não gosta de mim e nem da mamãe? Por isso que fica soltando aquela fumaça em casa pra fazer mal, né? - o menino ameaça chorar.
- Calma, filho!! Papai vai parar!!
- As paredes de casa vão ficar tudo cinza! Meu nariz vai ficar sujo e a vovó vai cheirar um monte de fumaça! Buááááááááááááá
- Calma filho! Pare de chorar! Olha lá o céu, está até ficando azul!
- Mentiroso!! Buáááááááááááááááááá!!!!
por Marcel Agarie * 1:00 AM
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LOUCO, EU?
Não quero mais viver. Nem morrer. Não sei bem o que eu necessito, apenas desejo abandonar essa vida caótica que todos estão vivendo. Chega de trânsito, palavrões em plena avenida Paulista. Não quero mais me estressar porque o farol ficou vermelho e ficar com medo de ser assaltado, seqüestrado e me transformar em mais uma vítima da violência nos semáforos. Quero distância da poluição que sai dos escapamentos de ônibus e carros da cidade e dos vírus e bactérias que sobrevoam as nossas cabeças.
Não quero mais ver a miséria nas ruas, a fome estampada nos olhos das crianças que vivem sujas nas calçadas, longe das escolas, de seus pais. Pessoas analfabetas, pais de famílias sem emprego, crianças trabalhando nos faróis da cidade. Chega de tolerância, agüentar todos os anos os mesmos políticos fazendo os mesmos discursos, as mesmas promessas, para depois serem eleitos e não cumprirem nada do que prometeram, e por muitas vezes, piorar de vez a situação. Aumento de gasolina a cada 2 semanas, reajustes nos valores das contas de energia elétrica, aumento das passagens de ônibus e miseráveis acréscimos em nossos salários. Chega de impunidade aos que infringem a lei, chega de corrupção. Não sei explicar se tenho mais medo da polícia que nos repreende ou dos ladrões que nos roubam. Como poderei explicar para uma criança que um ex-oficial do exército, hoje defende as facções que comandam o tráfico de drogas. A que ponto chegamos e até aonde chegaremos?
Chega de guerra, de destruição, diferença racial e religiosa. Chega de matança, chacinas covardes e atentados terroristas. Exterminem as doenças, epidemias e ataques bacteriológicos. O mundo vive com medo, como se estivesse ao lado de uma bomba prestes a explodir. Qualquer barulho suspeito e todos entram em pânico. Pensam no início da 3ªguerra mundial sem saberem que já vivemos dentro dela. Para falar verdade, devemos estar passando pela 26ª guerra mundial. Estamos nos acabando a cada dia que passa.
Mas uma coisa nisso tudo é certo. O mundo nunca será perfeito. Jamais eliminarei todos os momentos ruins da minha frente, porque o ventilador um dia vai quebrar quando estiver bastante calor, a televisão irá pifar na hora do jogo da seleção e ainda acordarei diversas vezes com aquelas dores nas costas. Porém, nenhum desses fatores deixará no meu coração a revolta, a tristeza e a indignação, assim como os atos de violência que estão acontecendo ultimamente. Só me resta agradecer à Deus por me dar paciência, coragem, sabedoria e a esperança, para nunca deixar de acreditar que algum dia, por mais distante que esteja, os meus filhos, netos e futuros descendentes tenham uma vida tranqüila, desfrutem de um cineminha à noite, tenham um emprego digno e possam construir uma família feliz.
Poderíamos viver em paz em um lugar sem guerras, todos em uma grande sociedade e dividindo os espaços com todos os animais, que mesmo irracionais, são tão racionais quanto nós e só matam por questões de sobrevivência. É assim que eu imagino um lugar ideal. Um lugar calmo e sereno, ao som de uma boa música, as pessoas queridas por perto e muito chocolate para comer. Mas será que vivendo assim, evoluiríamos tanto? Acho que não. Mas o que adianta progredirmos tanto tecnologicamente e regredirmos nas atitudes de amor, paz e felicidade? Melhor deixa pra lá.
Realmente não devo estar melhorando, pois continuo com esses pensamentos utópicos da vida. Em minha mente ainda reina o trauma de tudo que vi e vivi fora daqui. Tenho certeza que um dia tudo isso passará e não precisarei mais me tratar. Poderei sair deste hospício e viver na cidade como uma pessoa normal, controlando todos os meus medos e minhas indignações. Mas, para isso, terei que deixar de acreditar em tudo isso que o mundo considera uma loucura, o meu sonho de vida, para viver em um mundo tão louco quanto eu, considerado normal.
Louco, eu?
por Marcel Agarie * 12:36 AM
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